Saúde

Arapiraca: Obra atrasada da UBS da Bananeira deixa comunidade desassistida

Idosos não tomaram vacina e têm dificuldade de obter atendimento médico

POR: 7Segundos
Reforma da UBS da Bananeira está paralisada desde o início da quarentena
Ewerton Silva/ 7Segundos

O aumento no número de casos confirmados de covid-19 em Arapiraca têm deixado a população assustada e, na comunidade de Bananeiras, o medo do contágio se junta ao receio de não conseguir atendimento médico de imediato em caso de surgimento dos sintomas. A Unidade Básica de Saúde (UBS) que atende ao bairro e às comunidades do entorno deveria ser reaberta amanhã, mas a obra está paralisada e a população não sabe quando será concluída.

“Sem a UBS, foi designado o posto de saúde do Laranjal para atender todas as comunidades que eram atendidas aqui na Bananeira. Só que o médico que atendia a gente se afastou para fazer residência e não fizeram substituição e a equipe do Laranjal não tem condições de atender toda a demanda”, afirmou a professora aposentada, Marluce Magalhães.

A moradora conta que, para chegar ao posto do Laranjal, os moradores da comunidade que não possuem transporte próprio acabam acabam pegando ônibus lotado para poder chegar à unidade de saúde. “Por conta da pandemia, todos devemos evitar aglomerações, mas a quantidade de ônibus foi reduzida e, por conta disso, eles ficam superlotados. Não tomei a vacina da gripe porque não vieram aqui avisar, como sempre fazem. E então fico com receio de pegar um ônibus lotado, chegar lá e não ter vacina, e ainda esperar muito tempo para pegar outro ônibus lotado para voltar. Muita gente que conheço não tomou vacina pelo mesmo motivo”, declarou.

A UBS da Bananeira, que atende também os moradores dos sítios Piauí, Terra Fria e São Bernardo, teve o funcionamento suspenso em janeiro deste ano para reforma. Segundo a comunidade, a obra deveria ser concluída e o posto deveria voltar a funcionar nesta quarta-feira, 30 de abril. Mas, um dia antes, a reportagem do 7Segundos esteve no local e encontrou a unidade fechada, sem operários trabalhando e com materiais de construção acumulados na calçada. Não havia placa com informações sobre a obra e, de acordo com moradores das proximidades, ninguém sabe quando o posto vai voltar a funcionar.

Para ter acesso a atendimento médico, a população das quatro comunidades atendidas pela UBS precisam dividir o espaço e o tempo dos profissionais com os moradores do sítio Laranjal, onde fica localizado o posto de saúde, e ainda Ingazeira e parte de Lagoa Seca e do Bálsamo. 

“Apenas aqui na Bananeira somos mais de mil famílias, que somadas à população de todas as outras comunidades torna humanamente impossível para que todos possam ser atendidos naquele posto, que não tem sequer espaço físico. Quando o vírus chegar por aqui, porque é só uma questão de tempo mesmo, como é que vai ser?”, questiona Marluce Magalhães. De acordo com ela, desde o início da quarentena, muitas pessoas que estavam trabalhando no Sudeste e Sul do país voltaram para a comunidade. “Com a pandemia, essas pessoas perderam os empregos e voltaram para cá. Algumas vieram de transporte clandestino e circulam normalmente por aqui, como se nada estivesse acontecendo. Ninguém está sendo monitorado”, ressalta.

O morador do sítio Piauí, Rodrigo Lopes da Costa, que integra a direção da associação de moradores da comunidade e até o final do ano passado era o representante das comunidades da região no Conselho Municipal de Saúde, afirmou para a reportagem que a previsão inicial para a conclusão da obra não será cumprida em decorrência da pandemia. Segundo ele, informações da Secretaria de Saúde do município e do serviço de engenharia são de que a obra teria sido paralisada em decorrência do decreto estadual de emergência, que determinou o fechamento temporário dos estabelecimentos que vendem material de construção.

“As lojas de materiais de construção só voltaram a abrir após o último decreto e também devido às medidas de controle do coronavírus a empresa teve que reduzir a quantidade de trabalhadores na obra. Mas com as novas medidas do governo estadual, adotadas no último decreto, vai permitir que as obras retornem. Não no ritmo normal, porque ainda precisa ser reduzido o número de funcionários, mas os materiais já poderão ser comprados, apesar de não existir ainda um prazo para a entrega da reforma”, declarou.

Conforme Rodrigo Lopes, a unidade de saúde do Laranjal tem total condição de atender os moradores das comunidades que tinham como base a UBS da Bananeira. Segundo o morador, a estrutura do posto do Laranjal é nova e grande o suficiente para o funcionamento de mais de uma equipe do Saúde na Família. “A acomodação foi tranquila. A única dificuldade que temos é o deslocamento, porque tem que ser feito de transporte próprio, a pé, ou de coletivo. Mas esse é o único transtorno. Apesar de o médico da equipe que atendia na Bananeira ter ter se afastado e o município não ter enviado um novo médico para recompor a equipe, os atendimentos estão sendo feitos pela enfermeira e pelo médico tradicional”, ressaltou.

O morador afirmou ainda que, em relação à campanha de vacinação contra a gripe para os idosos, o Estado não enviou quantidade de vacina suficientes na primeira etapa, mas o problema foi resolvido e nesta etapa mandou mais vacinas para esse público. “Para evitar aglomeração, no posto estão vacinando 30 idosos de manhã e outros 30 à tarde”, declarou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.

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