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Inadimplência em instituições de ensino explode e creches encerram atividades em Arapiraca

De acordo com Sindicato das Escolas Particulares de Arapiraca, escolas também podem falir devido alta taxa de inadimplência

POR: 7Segundos
Algumas creches em Arapiraca não suportaram inadimplência e encerraram atividades em definitivo
ilustração

Com as aulas paralisadas desde o dia 21 de março, as instituições de ensino particulares amargam a pior crise dos últimos anos. Em Arapiraca a situação não é diferente e a explosão da inadimplência levou ao encerramento definitivo de atividades de algumas creches e pode também levar escolas à falência, segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Arapiraca (Sindipar). 

“Infelizmente, escola não tem custo só com água e energia. O salário dos professores e dos demais funcionários corresponde, em média de 75% da receita das escolas, além de todos os impostos. Apesar de ter ocorrido a redução de alguns dos tributos, manter uma escola tem um custo muito alto. Uma escola pequena, que tenha em torno de 25 funcionários, se pagar apenas um salário mínimo para eles, terá uma folha de R$ 25 mil. Como arcar com isso se os pais não estão pagando as mensalidades?”, questiona o presidente do Sindicado, João Paulo.

Segundo ele, antes do decreto estadual, a média de inadimplência das escolas era de 30%. Atualmente, as instituições de ensino que tem menor índice de inadimplência reportam que cerca de 50% das mensalidades estão em atraso, mas para a maioria das escolas esse percentual é ainda maior. Com isso, a renda direta e indireta de aproximadamente 20 mil pessoas em Alagoas está comprometida, segundo estimativa do Sindipar.

“A imprensa tem procurado a gente para saber o que as escolas estão fazendo pelos alunos neste período de paralisação, como estão se reinventando, mas alguns comunicadores estão sendo levianos em repetir discursos que só estimulam a inadimplência. Esquecem que essas instituições também são anunciantes. As escolas sempre tiveram flexibilidade em aceitar situações fortuitas dos pais de alunos, e agora não é diferente. Todos compreendemos que a quarentena trouxe prejuízos para muitos, só que mesmo quem não teve o orçamento comprometido tem aproveitado da situação para não pagar”, declarou.

João Paulo explica que, mesmo com a portaria do MEC desobrigando as instituições de promoverem, em 2020, 200 dias letivos, as 800 horas aulas anuais foram mantidas, o que vai obrigar as escolas a adotarem estratégias como suspender férias ou até mesmo estabelecer aulas aos sábados, para cumprir a carga horária exigida. Além disso, o presidente do sindicato explica que a matrícula escolar é um contrato anual assinado pelos pais de alunos e que a mensalidade corresponde a uma parcela do pagamento pelo serviço. Isso significa que, mesmo sem aulas presenciais, o compromisso de pagar as mensalidades permanece. Segundo ele, os pais que estiverem passando por dificuldades financeiras devem procurar as secretarias das escolas e informarem a situação, para que seja feito um acordo entre as partes. 

Praticamente todas as escolas, de acordo com o Sindipar, está mantendo as atividades à distância, dentro de suas realidades. Alguns dos estabelecimentos de ensino mandam exercícios para que os alunos façam em casa por meio de WhatsApp; outros usam outras plataformas sociais, como o youtube, com a gravação de aulas para passar conteúdo para os alunos ou utilizam serviços disponíveis da plataforma de ensino adotada. Há ainda escolas que usam as ‘salas de aula virtuais’ ou que chegam a utilizar serviço de mototáxi para entregar os exercícios na residência do aluno.

Todas essas alternativas demandam um custo extra das escolas, neste momento de grande inadimplência, e demonstra o compromisso delas com a Educação. Reconhecer isso é o mínimo, de acordo com João Paulo. “A gente precisa ter consciência que, neste momento, todos nós precisamos dar nossa parcela de contribuição para que a vida volte mais ou menos ao normal quando tudo isso acabar. As pessoas precisam ter em mente que, quando esse momento chegar, eles irão precisar daquela creche ou daquela escola, e ela poderá ter fechado as portas definitivamente. E a rede municipal e estadual, que já tem uma grande demanda, talvez não tenha condições de absorver esses alunos”, ressaltou.

O presidente do Sindipar afirma que, apesar de as medidas de quarentena serem necessárias para impedir o aumento no contágio pelo coronavírus e de concordar que a suspensão das aulas tem grande importância neste contexto, acredita que o Estado poderia modificar alguns pontos do decreto para tornar mais fácil para as escolas atravessarem este momento. Entre as medidas, de acordo com ele, seria a permissão para o funcionamento da secretaria escolar, ainda que em horário reduzido, bem como de flexibilizar a gravação de vídeos-aula.

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