Vida no campo

Agricultura: os impactos da pandemia de coronavírus para o setor

Representantes do setor agrícola no agreste falam sobre os efeitos da pandemia para quem vive no campo

POR: 7segundos
Produção de hortaliças em Arapiraca é uma fonte importante de renda
Arquivo/7Segundos

Esse período de pandemia em razão do novo coronavírus, culminando com o decreto estadual estabelecendo o isolamento social, trouxe uma série de dúvidas também ao homem do campo.  O Portal 7 Segundos ouviu representantes do setor, para uma avaliação do cenário.

“Alimentar é a necessidade número um”- diz José Adailton

O presidente do Sindicato Rural de Arapiraca, José Adailton Barbosa Lopes, avaliou que, mesmo com a pandemia, a agricultura não pode parar. “Alimentar as pessoas é a necessidade número um,” afirmou ele, lembrando que o trabalho no campo ocorre em local aberto e, geralmente, feito com poucas pessoas.

“Nunca vi uma situação como essa em minha vida!.” O comentário foi uma referência ao período de paralisação do comércio. Para ele, o impacto econômico deve ser sentido um pouco mais adiante. Citando como exemplo os produtores de hortaliças, José Adailton mostrou-se favorável ao funcionamento do comércio de alimentos e o retorno das feiras livres.

Para ele, os R$ 600 de auxilio emergencial serão importantes para ajudar no poder de compra da população de baixa renda, que busca principalmente alimentos. Conforme sua avaliação, os recursos chegam no mercado e isso se reflete no campo, com o produtor tendo onde comercializar seus produtos.

Geraldo Balbino explica como fica a situação dos Agricultores que não estão no Cadastro Único

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Geraldo Balbino, mostrou preocupação com os agricultores familiares que produzem folhosas, que comercializam basicamente nas feiras livres. “Houve uma queda na comercialização desses produtos dos nossos agricultores. Não somos contrários às medidas, mas, falando da comercialização, houve um prejuízo para os agricultores,” afirmou.

A exemplo do que também citou José Adailton Barbosa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais deixou claro que a agricultura não pode parar. Inclusive, neste período de pandemia, também ocorreram chuvas e os agricultores iniciaram o plantio de abacaxi, inhame e até de mandioca.

Quanto ao auxilio emergencial de R$600, Geraldo Balbino orientou aos agricultores que não estejam no Cadastro Único- e não recebam o Bolsa Família- para que busquem orientação antes de aderir a esse cadastramento individual. “Isso pode levar prejuízo para alguns agricultores, se fizerem esse cadastro sem que haja uma orientação. Está em discussão no Congresso Nacional uma emenda para beneficiar os agricultores, para que eles não percam a condição de segurado especial. Sabemos que muitos agricultores, as suas esposas já recebem o Bolsa Família. Mesmo sendo agricultores, têm o cartão do Bolsa Família. Pra esse, se for contemplado, não é nenhum problema. Nossa preocupação é com o agricultor que não está no Cadastro Único. Não façam essa inscrição como autônomo no site da Caixa, aguardem as negociações com o Governo,” explicou.

Agricultor Almir de Souza Amorim fala sobre o trabalho no campo

O agricultor familiar Almir de Souza Amorim, da comunidade rural de Oitizeiro, disse alguns trabalhadores ficaram sem querer sair de casa devido à pandemia. Segundo ele, há um entendimento que o problema é sério. “Nós, que somos agricultores familiares, estamos preocupados com essa questão do comércio. Porque os produtos precisam ser vendidos, precisam ser entregues,” relatou mostrando sua preocupação com a questão da sobrevivência.

Mesmo com as dificuldades, Almir de Souza ressaltou que nesse período muitos agricultores estão trabalhando bastante no plantio do abacaxi. Perguntado sobre a ajuda emergencial de R$ 600, disse acreditar que será bem favorável. “Eu creio que será uma boa ajuda,” afirmou.    

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