subnotificação

Mulher morre em Arapiraca e vizinhos suspeitam de Covid-19

Vítima apresentava sintomas da doença e teve caixão lacrado, mas causa da morte foi apontada como pneumonia aguda

POR: 7Segundos
Coronavirus
Reprodução

A morte de uma mulher no bairro Guaribas, em Arapiraca, acendeu o sinal de alerta da comunidade para a possibilidade de o coronavírus estar circulando no município. A mulher, que era conhecida pelo apelido de Bia, tinha 43 anos, e morreu na madrugada de sábado (28), pouco depois de dar entrada no Hospital Regional, de acordo com os médicos, em decorrência de uma pneumonia aguda. 

Uma vizinha da família contou que, pouco após a chegada do caixão no velório, uma equipe de profissionais de saúde da prefeitura teria ido à residência para afirmar que o caixão deveria ser mantido lacrado, devido a suspeita da doença provocada pelo coronavírus. “Eles disseram também que era para evitar a aglomeração de pessoas e para enterrar logo”, afirmou uma vizinha, que conversou com o 7Segundos na condição de não ter o nome revelado na matéria.

“O que está acontecendo, na verdade, é que os casos dessa doença estão surgindo e ninguém fica sabendo disso. O pessoal da Saúde que esteve no enterro disse que iria coletar material para fazer exames. Eles disseram que não fizeram isso quando ela foi internada porque o Estado tinha mandado só cinco exames e, lá no velório, não colheram a amostra porque não tinha coletor, que é uma haste que parece com um cotonete”, declarou a mulher.

Este não é o primeiro caso que aponta possibilidade de subnotificação de covid-19 em Arapiraca. O 7Segundos já noticiou sobre um professor que tentou duas vezes ser testado para a doença e não conseguiu.

Ainda durante o velório, os profissionais aplicaram um questionário para o viúvo, sobre os sintomas que Bia apresentava e sobre os fatores de risco. Segundo a vizinha, ele respondeu sim para todas as perguntas, a única exceção foi sobre diabetes, que a mulher não tinha. “Depois disso, eles reforçaram que o caixão era pra ficar lacrado e para ser enterrado logo, porque era suspeita de coronavírus”, atestou.

Segundo a vizinha, Bia estava bem de saúde e cumpria a quarentena, mas na segunda-feira da semana passada, 23, saiu de casa para ir ao banco. No dia seguinte, começou a apresentar os sintomas de tosse, febre e falta de ar. A mulher teria ido ao posto de saúde na quinta (26) e, ao voltar para casa, contou a vizinha que havia sido testada para covid-19, informação que foi contestada pelos profissionais de saúde que estiveram no velório. 

“Segundo o marido, desde esse dia eles passaram a dormir em quartos separados. Mas ele não acredita que ela poderia estar com corona, ele acha que ela morreu por causa de um regime que ela tinha começado alguns dias antes. Sou leiga, mas não entendo como uma dieta pode causar problema respiratório e morte por pneumonia. Ele é um senhor de idade, bem mais velho que ela, pode ser que ele não entenda ou não queira entender”, afirmou.

Mesmo após a consulta no posto de saúde, os sintomas foram se agravando, até a noite da sexta para o sábado. “No hospital, ela passou por um raio-x e foi entubada, mas já era tarde demais. O exame mostrou que os pulmões dela estavam totalmente comprometidos e, por causa disso, disseram que ela morreu de pneumonia aguda. Como é que pode alguém morrer de pneumonia cinco dias depois de gripar? Como ela podia estar com os pulmões comprometidos se nunca fumou?”, disse.

Após a ida dos profissionais de saúde no velório, a vizinhança toda foi embora, e na hora de levar o caixão para o cemitério, não havia ninguém para ajudar. “Foi muito triste. Estava só o marido dela, o motorista da funerária e uma técnica de enfermagem, porque a família dela não é daqui. Chamei meu filho para ajudar a carregar o caixão, porque todo mundo ficou com medo depois que falaram do coronavírus. O funcionário da funerária disse que esses dias morreu um jovem, também de uma pneumonia aguda e que estavam suspeitado do corona, que também foi enterrado sem velório, sem pessoas”, declarou.

“Fico muito preocupada porque parece que essas informações que são divulgadas não são reais. Dizem que não tem nenhum caso confirmado aqui, mas enquanto for assim, enviando cinco testes apenas, faltando coletores, nenhuma suspeita vai ser confirmada, apesar de o vírus estar circulando por aqui”, ressaltou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do Hospital Regional mas até o fechamento da matéria não recebeu resposta. 

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