Denúncia

Secretaria de saúde de Arapiraca sugere que grávida “arrume o dinheiro” para realizar exames

Paciente informou que foi amedrontada por enfermeira em relação à saúde do bebê

POR: 7 Segundos
Unidade de saúde disse que não tinha datas de exames e sugeriu que paciente realizasse de forma particular
7 Segundos

Georgina Pereira Rocha, de 35 anos, descobriu que estava grávida do seu segundo filho, no final de fevereiro de 2020, através do exame Beta HCG e procurou o 5º Centro de Saúde de Arapiraca, de responsabilidade da gestão municipal. Porém o que deveria ser um pré-natal tranquilo, começou com um amedrontamento da enfermeira em relação à saúde do bebê, e a sugestão de que a mesma “arrumasse dinheiro” para realizar exames particulares.

De acordo com Georgina, assim que constatou que estava grávida, procurou uma unidade de saúde para iniciar o pré-natal, o primeiro problema enfrentado pela paciente foi o medo causado pela enfermeira em relação à saúde do bebê. 

“Fui até a unidade e marque a consulta com a enfermeira Mônica Susy para o dia 10 de março. A enfermeira iniciou o procedimento, a princípio me fazendo perguntas pessoais sobre a minha vida, que eu achei inconveniente e em seguida ela foi me examinar. E disse que tinha um aparelho de última geração que tinha acabado de chegar na rede e ela não estava conseguindo escutar os batimentos do embrião, e eu questionei dizendo que era um feto, um bebê, e ela disse neste caso nós tratamos como um embrião”, explicou Georgina.

Questionando a enfermeira sobre a forma como se referiu ao bebê, e assustada pelas palavras dela, Mônica Susy, segundo a paciente, sugeriu que poderiam haver três opções. “Ela disse que podia ter opções: ou eu não estar grávida, que o exame poderia ser um falso positivo; ou poderia se tratar de uma gestação diferente, eu perguntei, questionei, mas ela não disse do que se tratava; e a terceira era que eu estava grávida”.

Diante do exposto, a enfermeira receitou uma medicação, já dizendo que não tinha na unidade, e solicitou exames. “Ela me solicitou alguns exames básicos e me receitou sulfato ferroso e ácido fólico, e pediu uma ultrassom pélvica e uma endovaginal com urgência para relatar o que ela suspeitava. E ela também disse que a medicação estava em falta e pediu pra ver em outras unidades de saúde, ou comprar”. 

Georgina se dirigiu para a marcação e começou o seu segundo problema, não tinha datas para exames disponíveis. “Quando cheguei na marcadora solicitei e disse que era com urgência, e fui informada que talvez nos primeiros 15 dias ela ia tentar marcar uma gestacional, mas a endovaginal não teria previsão de forma algum porque não existia nenhuma vaga, que o correto a se fazer era que eu conseguisse o dinheiro e fizesse particular, porque não tinha”.

Diante da sugestão de fazer o exame de forma particular, a paciente solicitou falar com o responsável pela unidade. “Perguntei pelo gerente da unidade e fui informada que eles não sabiam dizer quando o Eduardo estaria, porque ele tomava conta de mais duas unidades. Não duvido da capacidade de alguém, mas acredito que é humanamente impossível um único ser humano tomar conta de três unidades de saúde”.

Georgina pensou, pelas palavras da enfermeira, que o bebê poderia estar morto. “Pelo meu entender quando ela disse que eu podia não estar grávida eu pensei que meu filho estava morto, ou se tratava de uma gravidez tubária, já que ela disse que podia ser uma gestação diferente”.

Assustada e sem recursos financeiros, a paciente se dirigiu à Secretária de Saúde, onde foi dito que não era urgência e sugerido mais uma vez que ela fizesse particular. “Fui atendida por Sueli, que por uns 30 minutos eu fiquei aguardando ela encontrar alguém responsável pela saúde da mulher e em seguida mesmo com o Beta HCG e o pedido da solicitação da enfermeira, essa mulher, que não quis se identificar, disse que não era urgência, e que se não tivesse na marcação que eu arrumasse uma forma de pagar, porque a Secretaria não ia disponibilizar, que naquele caso não era prioridade, que eu voltasse pra unidade”.

Georgina ficou desesperada e teve a ajuda de amigos para fazer o exames. “No meu ato de desespero alguns amigos se reuniram e contribuíram com o valor para que pudesse fazer os exames”. A paciente realizou os exames de maneira particular e ela e o bebê passam bem.

“É lamentável, as unidades não disponibilizam os exames. Eu preciso do serviço público de saúde, e acho um absurdo alguns parlamentares abrirem a boca para dizer que Arapiraca tem uma saúde de qualidade, o próprio prefeito Rogério Teófilo não faz tratamento aqui na cidade, porque ele não utiliza o Chama e as unidades de saúde, porque eles não vão nas unidades para ver o que realmente a população precisa. Porque eu como gestante sou prioridade, já tenho 35 anos, não esperara a gravidez, e abordagem que eu recebi, a falta de respeito, o total descaso na saúde que temos hoje”, finalizou.

A reportagem do Portal 7 Segundos entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Arapiraca mas teve resposta.

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