Caso Edler

[Vídeo] Ex-policial acusado na morte de gerente de posto vai a júri popular

Jadielson Nunes teria sido contratado para executar Edler Lira da Silva em 2008

POR: 7Segundos
Edler Lira estava chegando ao posto de combustíveis onde trabalhava quando foi assassinado em 2008
divulgação

Mais de dez anos após o crime, a sensação para a família de Edler Lira dos Santos - assassinado em 2008 - é de que, finalmente, poderão encontrar a paz. Um dos acusados do crime, o ex-policial civil Jadielson dos Santos Nunes, vai a júri popular no próximo dia 06 de fevereiro, no Fórum de Arapiraca.

“A gente espera que a justiça dos homens seja feita porque até hoje minha família sofre as sequelas desta morte”, afirmou a irmã da vítima, Micheline Lima Aragão.

Segundo ela, o assassinato de Edler foi consequência de uma discussão tola, ocorrida dez anos antes, e a morte dele ainda não foi superada pela família. “Ele era uma pessoa maravilhosa, fundamental para a nossa família. Ele deixou três filhos, meu irmão até hoje toma remédios e meu pai faleceu de infarto um tempo depois, devido a sensação de perseguição pelos acusados”, afirma. 

Edler Lira era gerente de um posto de combustíveis na rodovia AL-110, no município de Coité do Noia. No dia 18 de junho de 2008, ele chegou para trabalhar por volta de 7h30 da manhã e, logo depois, dois homens em uma motocicleta chegaram e executaram a vítima. O crime foi registrado pelas câmeras de segurança do estabelecimento. Veja o vídeo ao final da matéria.

As investigações policiais feitas à época dão conta de que o crime foi cometido por Antônio Ananias dos Santos e pelo então policial civil Jadielson dos Santos Nunes. Antônio Ananias é acusado de ser o mandante e também um dos executores do crime. No vídeo das câmeras de segurança, ele aparece pilotando a moto e com um casaco de cor escura. Ele efetua os primeiros disparos contra a vítima, enquanto Jadielson aponta uma arma para um frentista, que sai correndo. Em seguida, Jadielson se aproxima de Edler, que já está no chão, e efetua mais disparos na direção dele.

Antônio Ananias teria contratado o então policial para executar o crime junto com ele mediante o pagamento de R$ 1 mil mais um aparelho de som. 

“Na época do crime, minha família ficou sem chão. Uma irmã nossa estava se recuperando de uma cirurgia para a retirada de um câncer e a gente, nem ele próprio, podia imaginar que ele poderia ser assassinado de forma tão cruel e covarde. Mesmo hoje, quase 11 anos depois, minha mãe sofre como se tivesse acontecido ontem”, afirma Micheline Aragão.

De acordo com ela, Edler e Antônio Ananias tiveram uma discussão dez anos antes do crime. Edler Lira havia emprestado uma motocicleta para o cunhado do acusado, que danificou o veículo. Edler cobrou pelo conserto da moto e Antônio Ananias esteve na residência dele para fazer ameaças. “Na época, a esposa dele estava grávida e essa pessoa chegou lá, disse que o cunhado dele não pagaria o conserto da moto e efetuou disparos de revólver. Meu irmão denunciou à polícia e ele foi preso, passou a noite de cadeia e foi liberado no dia seguinte. Mas, dez anos depois, ninguém esperava que ele ainda quisesse vingança”, relatou.

A dupla chegou a ser presa durante as investigações, mas foi liberada para responder pelo crime em liberdade. “A gente passou a ter medo de sair de casa. Teve uma vez que minha irmã e eu encontramos com o mandante do crime na rua e chegamos em casa apavoradas. Foi por conta dessa sensação de perseguição que meu pai acabou sofrendo um infarto e falecendo”, declarou.

Antônio Ananias foi morto durante um confronto com a polícia no dia 08 de junho do ano passado, durante perseguição aos acusados de assalto a um posto do Banco do Brasil em Pindorama, município de Coruripe, que havia acontecido no dia anterior. O acusado era proprietário do veículo usado no assalto e onde a polícia encontrou grampos, que são jogados na pista com o objetivo de furar pneus das viaturas e roupas camufladas que foram usadas no assalto. Na ação, outros dois acusados do crime também foram presos.

O ex-policial Jadielson dos Santos, que será julgado na quinta-feira da próxima semana (06/02) em Arapiraca, conseguiu por três vezes evitar o júri popular. O primeiro aconteceria em Maceió, mas houve pedido de desaforamento para o Fórum de Arapiraca, que foi aceito pelo Tribunal de Justiça em um primeiro momento, mas depois os autos do processo retornaram para ser julgado em Maceió. O júri popular chegou a ser marcado para o dia 18 de novembro de 2014, no fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, mas, no dia do julgamento, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, cancelou o julgamento.

 

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