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Ministério da Saúde diz que não há alerta específico para população após 1ª morte por febre hemorrágica em 20 anos

Órgão ressaltou que o alerta é para funcionários dos hospitais que tiveram contato com o paciente

POR: G1
Fachada do prédio do Ministério da Saúde
O Globo

O Ministério da Saúde ressaltou durante coletiva de imprensa, realizada nesta terça-feira (21), que não existe alerta específico para a população após a morte de um morador de Sorocaba, interior de São Paulo, em decorrência de complicações causadas pela febre hemorrágica.

A vítima é um homem de 52 anos, morador do bairro Vila Carvalho, que foi contaminado pelo arenavírus. Segundo o ministério, esta é a primeira vez em 20 anos que a doença é registrada no país.

Segundo o órgão, não há alerta aos moradores porque dos últimos quatro relatos da doença, dois foram transmissão laboratorial e dois no ambiente rural. Todos foram contabilizados na década de 90, o último em 1999.

Contudo, o principal alerta é para os profissionais de saúde que se expuseram eventualmente com o paciente.

O Ministério informou que os agentes que tiveram contato com alguma secreção do paciente contaminado ou manipularam essa amostra biológica precisam ser observados.

A estimativa da pasta é que entre 100 e 150 pessoas, entre profissionais da saúde e familiares, tenham entrado em contato. Eles serão monitorados até 3 de fevereiro, data limite dos 21 do monitoramento. Caso apareçam novos casos, esse período será reavaliado.

O Ministério ressaltou que, em nenhum momento, os profissionais monitorados estão isolados porque atualmente não existe nenhum contato com o sintoma desse vírus.

O vírus é o mesmo da década de 90, o vírus sabiá, que sofreu uma evolução ao longo desse tempo e ele é 90% similar ao vírus que foi identificado há 20 anos, não é uma nova espécie de vírus, é o mesmo vírus sabiá, com pequenas diferenças genéticas. Não há correlação com os casos da China, de coronavírus.

Raro

Pela frequência do número de casos, o Ministério da Saúde afirma que é um evento raro essa transmissão, já que precisa da condição ideal para o paciente adquirir e por ser difícil também a transmissão de pessoa a pessoa, já que requer um contato bem específico com essa secreção.

Ainda segundo o órgão, apesar de todo esse cenário, a letalidade da doença é grave. Nos casos da Bolívia, da febre hemorrágica, dos cinco casos, três pacientes morreram.

Risco em Sorocaba

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Sorocaba, Priscila Helena dos Santos, afirmou que o risco de transmissão da doença na cidade é "praticamente nulo".

"O risco de transmissão em Sorocaba é praticamente nulo, uma vez que não foi o local provável de infecção. A companheira foi a única pessoa que teve contato íntimo com o doente. Ela está sendo monitorada e, até o momento, não apresenta sintomas. Ela está sendo mantida em isolamento até o período de provável incubação do vírus e, havendo o descarte da doença nesta pessoa, o risco de transmissão em Sorocaba se torna nulo", explica Priscila.

O paciente começou a apresentar os sintomas no dia 30 de dezembro e foi atendido em três hospitais de Eldorado (SP), Pariquera-Açu (SP) e São Paulo até morrer por complicações da doença no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM-USP), no dia 11 de janeiro.

Ele não passou por atendimento em Sorocaba e não retornou à cidade depois que passou a apresentar os sintomas. A princípio, foram realizados exames para identificação de febre amarela (doença contra a qual ele era vacinado), hepatites virais, leptospirose, dengue e zika. No entanto, todos os resultados foram negativos.

Passagens por outras cidades

Ainda segundo o ministério, o morador viajou para as cidades de Itapeva (SP) e Itaporanga (SP), prováveis locais de infecção. Ele não tinha histórico de viagens internacionais.

"Nos 30 dias antes do aparecimento dos sintomas, ele esteve em três municípios. As áreas rurais onde ele esteve foram nos municípios de Itapeva e Itaporanga. Depois disso, ele retorna a Sorocaba ainda sem sintomas e sai de Sorocaba no dia 29 apresentando o início dos sintomas no dia 30, já na cidade de Eldorado", comenta a coordenadora da Vigilância Epidemiológica.

De acordo com a secretária de Saúde de Itapeva, Karen Grube Lopes, ele esteve na cidade por dois dias no mês de dezembro visitando os filhos e não apresentou nenhum sintoma da doença.

"No dia 16 de janeiro, nós recebemos a informação que poderia ser o arenavírus. Já entramos em contato com a família, realizamos todas as orientações de higiene, limpeza e primeiros sintomas. A família não contraiu a doença e não apresenta mais risco devido ao período de incubação, que é de 21 dias", esclarece.

Segundo a Prefeitura de Itaporanga, o paciente esteve na cidade por 15 dias em dezembro visitando o sogro e a sogra, que moram na área rural. Durante este período, ele não apresentou nenhum sintoma da doença e foi embora no dia 26 de dezembro.

A secretária informou que foi notificada pela Vigilância de Saúde do estado sobre a suspeita de febre amarela e começou um bloqueio em relação à doença. Em seguida, eles foram notificados de que o homem havia morrido de febre hemorrágica.

No sábado (25), agentes do Ministério da Saúde estarão na cidade para investigar a família do paciente. Ainda segundo a secretária, o contágio da doença não é fácil e orienta os moradores que, se tiverem algum dos sintomas, a procurarem um posto de saúde.

A origem da contaminação ainda não foi confirmada. Funcionários dos hospitais por onde o homem passou serão monitorados e avaliados até o dia 3 de fevereiro, assim como os familiares e pessoas que tiveram contato com ele.

Doença rara e letal

O ministério está considerando o caso como um evento de saúde pública grave por conta da raridade e da letalidade da doença. O G1 conversou com uma médica infectologista para esclarecer algumas dúvidas sobre a transmissão da febre hemorrágica.

No país há registros de apenas quatro casos da doença. Destes, três foram adquiridos em ambiente silvestre no estado de São Paulo e um por infecção em ambiente laboratorial no Pará. Todos foram contabilizados na década de 90, sendo o último em 1999.

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