Artesanato

Mulheres do 'Agreste' se tornam artesãs para fugir do desemprego

O artesanato feito a partir de materiais reciclados se tornou fonte de renda para a comunidade

POR: Taísa Bibi
Mulheres durante oficina na sede da ACMA, em Arapiraca
Taísa Bibi

Mãos fortes e sorriso no rosto. A dificuldade financeira não abala o grupo que faz parte da Associação Comunitária das Mulheres do Agreste (ACMA), localizada no Residencial Agreste, na cidade de Arapiraca, interior de Alagoas. O artesanato feito a partir de materiais reciclados se tornou fonte de renda para a comunidade.

O lixo vira arte nas mãos das mulheres que transformam palitos de picolé, tampinhas, CDs, garrafas pets e pedaços de tecido em abajures, porta-joias, bonecas, materiais de decoração, descanso de pratos, jogos americanos, entre outros.

Lilian Rodrigues, de 30 anos, tem sete filhos e está desempregada, a família contava apenas com o salário do marido, e ela viu no artesanato uma forma de ganhar um dinheiro extra. “Eu gosto muito desse momento que a gente participa, faz artesanato, para ganhar algum extra, colocando as ideias, o papo em dia, se distraindo, sem deixar de aprender e de desenvolver arte a cada dia, que é maravilhoso. Depender de marido é horrível e aqui temos oportunidades”.

Todas às terças-feiras, das 14h às 16h, as mulheres se reúnem para aprender e desenvolver seus trabalhos. “Temos os cursos, oficina de artesanato, oficina de picolé, crochê, flores, fuxico, fazemos também trabalhos com garrafa Pet, CDs, tudo a gente aproveita, é mais trabalho com reciclagem e doações”, explica Denise Lima, de 49 anos, presidente a ACMA.

Maria de Lourdes, de 67 anos, é só sorrisos. “Aqui a gente relaxa, aprende, ganha um dinheirinho. Gosto de fazer tudo, mas fuxico é minha paixão”.

“Pra mim está sendo maravilhoso, além de ser um passatempo gostoso, descontraído, aqui a amizade vai crescendo, acaba se tornando uma família, onde todos têm o mesmo objetivo, que é o de fazer com que a associação cresça. As empresas não dão oportunidades a pessoas da minha idade, a maioria das mulheres aqui do Agreste não trabalha, então vamos aprender e se tornar artesãs do agreste”, disse Claudia Gonçalves, de 49 anos.

Falta colaboração

A ACMA possui 54 mulheres cadastradas, mas apenas 12 participam das atividades do artesanato.  “A gente vê um número pequeno, onde tem 54 cadastradas, aqui só vem quatro ou cinco por semana, ativamente tem de 10 a 12 que produzem”, disse a presidente.

“A maior dificuldade da associação são os moradores que precisam colaborar mais, participar mais, interagir mais e vim mais, porque a gente deixa de arrecadar, de lutar pela associação por falta de união dos moradores do Residencial Agreste”, explica Lilian Rodrigues.

Para Claudia Gonçalves as mulheres precisam sair do anonimato e descobrir seus talentos. “O que falta é, nós mulheres, entendermos que se estou desempregada eu tenho que procurar um meio de me virar, se na associação tem oportunidade eu vou lá, vou tentar, eu só sei se vou conseguir fazer se eu tentar, todos temos capacidades, então só fica sem fazer nada quem quer”.

“Temos que atrair os nossos moradores do Agreste, para se despertarem, que saiam das suas casas, venham se juntar a gente, para somar, para que a gente possa tá abrindo portas para que a associação possa crescer, se desenvolver e trazer melhorias para a comunidade. Aqui estamos ocupando nossa mente ao invés de estar na porta olhando a vida do outro”, completou Gonçalves.

De acordo com Denise Lima a associação sempre traz, além dos cursos de artesanato, oficinas de chocolate, cursos de oratória, de como falar em público, tudo para que o grupo possa se desenvolver e crescer. “Aqui tem oportunidade para todas que querem aprender”.

Venda do artesanato

Os materiais são vendidos em um box, doado pela prefeitura municipal, localizado na Praça de Artesanato Margarida Gonçalves, no centro da cidade. Por conta da dificuldade de transporte, uma vez que a comunidade é muito distante do centro de Arapiraca, a loja funciona de segunda a sexta, das 9h às 14. “Não abrimos final de semana por conta do transporte”, disse a presidente.

O material para confecção das obras é arrecadado pela associação e doado para as artesãs. A renda do que é vendido é dividida, uma parte fica com as mulheres e a outra volta para a associação para compra de matérias, como cola.

“As mulheres conseguem arrecadar pouco, porque precisamos vender mais, e depende do trabalho, da produção, porque a gente não sabe o que vai vender, vai da sorte, agora final de ano a gente vende muito abajur que é para amigo secreto”, completou Denise Lima.

Quem quiser ajudar ou comprar as peças pode se dirigir ao box no Mercado do Artesanato ou entrar em contato através do telefone (82) 99940-9431. A associação também aceita matérias reciclados como palitos de picolé, EVA, colas, tecidos, garrafas pets.

“O material que temos estamos trabalhando para tentar vender e arrumar uma renda extra para comprar a lembrancinha de Natal para os filhos”, finalizou a presidente.

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