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Polo Moveleiro:Retrato do abandono e descaso com o setor produtivo do Agreste  

Inaugurado em 2011, o complexo está deteriorado pela ferrugem e ocupado por marimbondos

POR: 7Segundos
Inaugurado em 2011, o complexo está deteriorado pela ferrugem e ocupado por marimbondos
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Inaugurado em dezembro de 2011, o Polo de Madeiras e Móveis Nascimento Leão, mais conhecido como polo moveleiro, era a esperança de desenvolvimennto, geração de emprego, e aquecimento na economia deste setor em todo o Agreste. Oito anos após a inauguração, quem passa em fente à sede do polo, localizada às margens da rodovia AL 220, na comunidade Lagoa do Capim, em Arapiraca, observa somente uma velha estrutura enferrujada e desgastada pelo tempo.  

O Polo Moveleiro foi construído pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra )com recursos na ordem  de R$ 5,3 milhões investidos em uma área de 96 mil m² divididos em 45 lotes. Após a construção, a Prefeitura de Arapiraca ficou responsável pela manutenção e implantação de políticas que impulsionassem o desenvolvimento do novo complexo no Agreste. Mas não foi o que ocorreu ao longo dos últimos anos. 

A construção do que seria um complexo industrial  de móveis, foi uma antiga reivindicação dos pequenos e médios empresários do setor, à época mais de 100 empresas produziam  movéis em locais improvisados. A maioria funcionava em pequenas fabriquetas - geralmente instaladas na garagem ou nos quintais das residências. 

Os recursos estaduais garantiram obras de pavimentação, esgotamento sanitário, refeitório, sala de primeiros socorros, e duas quadras de esporte. Toda essa estrutura era para garantir qualidade e comodidade aos trabalhadores das empresas que iriam se instalar no local.  

Atualmente, quem tenta visitar toda essa estrutura tem que tomar cuidado com os "moradores" que invadiram as áreas de alvenaria. Dezenas de casas de marimbondos estão espalhadas nas janelas, paredes e nos equipamentos. Parte das instalações está destruida e o local também é visitado por outros animais que espalham fezes em todos os cantos.  

Dos 45 lotes disponíveis no polo moveleiro, apenas dez lotes estão ocupados por dois empresários do setor de estofados. Eles construiram os galpões e deram continuidade à fabricação dos móveis que já eram produzidos em larga escala. 

O empresário José Felício  Apolinário afirmou que esse foi um dos principais entraves para que outros empresários menores se instalassem no local. Ele disse que boa parte dos moveleiros pensou que a construção dos galpões seria realizada com recursos públicos, parcerias ou algum tipo de financiamento com redução de juros. " Na minha opinião o município - que ficou responsável pelo polo após a inauguração, foi ausente em apoiar os empresários pequenos para que eles pudessem instalar suas fabriquetas aqui", contou. 

Ele lamenta também que da área total, foram destinados cinco lotes para que o município construísse galpões onde funcionariam oficinas. Desde o  início do projeto do polo moveleiro ficou estabelecido que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ofertaria cursos de macenaria e capotaria para capacitar a mão de obra da região. Mas os galpões nunca foram construídos.  

                                                           

"Atualmente eu tenho 60 funcionários trabalhando aqui no polo, mas quando há aumento de produção, e eu tenho que contratar outras pessoas, perco no mínimo 6 meses ensinando como fazer um estofado até que o funcionário adquira o rítmo necessário  para a atender a demanda", relatou. 

Outro problema relatado pelo empresário é a burocracia para conseguir autorização para a expansão da área de produção no polo industrial. José Felício afirmou que desde abril de 2017 solicitou à Secretaria Municipal de Industria Comércio e Serviços de Arapiraca a liberação de mais cinco lotes, e ainda não conseguiu. 

"Já são dois anos e seis meses tentando essa autorização. Eu já cansei de ir à secretaria e não tive retorno. Agora quem está na gestão da pasta é a Zélia Azevedo que já foi gerante regional do Sebrae em Arapiraca, e eu tenho fé que vou conseguir a espansão", disse confiante. 

O empresário produz estofados para AL, SE e PE, e se conseguir a expansão dos lotes ele vai dobrar a oferta de trabalho na região.

"Eu sou um empreendedor e tenho que acreditar que o polo moveleiro ainda será o maior segmento deste setor em todo o estado de Alagoas", finalizou esperançoso.

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