Arapiraca: 95 anos em 7Segundos

Arapiraca é pólo para cidades vizinhas, mas “metrópole do futuro” não decolou

Apesar da dependência de municípios do entorno, avanço econômico não aconteceu

POR: 7Segundos
Comércio de Arapiraca
7Segundos

Todos os dias, milhares de pessoas que se moram em outros municípios se deslocam para trabalhar, estudar, fazer compras ou ter acesso a serviços em Arapiraca. Mas, apesar de a cidade contribuir para a economia e desenvolvimento dos municípios menores, a capital da Região Metropolitana do Agreste está ainda muito longe do ideal de “metrópole do futuro”, como se imaginava no início da década.

Esta é a primeira da série de reportagens especiais preparada pelo 7Segundos sobre os 95 anos de emancipação política de Arapiraca. Até 30 de outubro, todos os dias, serão publicadas matérias para celebrar a história da cidade, avaliar o presente e falar sobre as expectativas para o futuro. Nesta primeira semana, traremos matérias sobre a economia do segundo maior município de Alagoas.

Em agosto de 2010, a revista Veja trouxe uma reportagem sobre as melhores cidades brasileiras - de médio porte - para se investir. Arapiraca ficou em 22o lugar no país e por conta disso ganhou, na época, a alcunha de "metrópole do futuro" A cidade passava por um período de efervescência econômica, um otimismo que não se via desde a época do apogeu do fumo. A economia do município crescia 8,3% ao ano, de acordo com dados da própria revista, especialmente em decorrência dos resultados positivos do varejo e da indústria. No comércio, os empresários comemoravam bons resultados principalmente em datas comemorativas, onde chegavam a fazer novas contratações para dar conta de atender todos os clientes e os consumidores estavam empolgados com a chegada de novos empreendimentos como supermercados atacadistas e o Arapiraca Garden Shopping, cuja construção já havia sido iniciada. 

Um dos investidores do shopping disse, naquela época, ter ouvido de técnicos de pesquisa de mercado que Arapiraca era “uma galinha dos ovos de ouro” e isso parecia ser verdade com a cidade se tornando um pólo educacional - devido o número crescente de oferta de vagas em cursos superiores, com a inauguração da Ufal em 2006 e a chegada de outras instituições de ensino superior à distância - e o boom do setor imobiliário, com a construção de prédios de apartamentos, dando início ao processo de verticalização da cidade.

Além disso, a mineradora Vale Verde, localizada no município de Craíbas, tinha previsão para iniciar as atividades de extração em em 2012. Além dos milhões de reais em royalties e ISS para aquele município, a expectativa era de que a companhia consumisse grandes valores em insumos e serviços fornecidos em Arapiraca. Tudo isso, de acordo com dados do Ministério do Trabalho divulgados pela Veja naquela época, fez com que fossem gerados, em Arapiraca, 34 mil novos postos de trabalho, entre os anos de 2005 a 2010.

Naquela época, a criação da Região Metropolitana do Agreste levava essa sensação de otimismo aos demais 19 municípios da região, já que a criação, por lei estadual de 2009, previa o compartilhamento de serviços e a aplicação de políticas públicas em conjunto. As ideias, no entanto, não se tornaram realidade. O que chegou mais perto disso foi a formação de consórcios intermunicipais, mas eles são celebrados sem considerar a área da região metropolitana.

Hoje, a maioria das expectativas daquela época não se concretizaram. A abertura do shopping e de redes de atacado, varejo e construção de fato mudaram o perfil de consumo na cidade, que teve sérias consequências para parte das empresas locais, que fecharam as portas. Isso aconteceu principalmente depois de 2015, quando ficou claro que boa parte dos prognósticos do início da década não se concretizaria.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de empresas atuantes em Arapiraca sofreu uma retração. Eram 4.258 naquele ano e 4.239 em 2017, última atualização. A quantidade de pessoas ocupadas também diminuiu de 41.393 para 40.540 no período de dois anos, caindo de 17,9% para 17,3% da população local. A média salarial do trabalhador, no entanto, se mantive igual: 1,6 salário mínimo.

Esses números refletem as mudanças ocorridas ao longo dos últimos nove anos. Mesmo com o movimento no Centro gerado pelos moradores de cidades vizinhas, os comerciantes do passado que avaliavam manter os funcionários contratados temporariamente, hoje funcionam com um número mínimo de trabalhadores e com estoque reduzido para evitar prejuízos. 

O boom imobiliário persistiu por alguns anos, mas as construtoras foram afetadas pela recessão econômica nacional, abrindo espaço para os construtores individuais, que passaram a fazer imóveis voltados para o público atendido pelo Minha Casa Minha Vida. Mas desde o final do ano passado, com as mudanças de regras no programa federal, a construção de novas unidades habitacionais também sofreu redução drástica.

Um dos poucos setores que superou as expectativas foi o Ensino Superior. De lá para cá, a oferta de cursos da Ufal aumentou - incluindo Medicina - e a quantidade de faculdades à distância também deu um salto, dando oportunidade aos trabalhadores de obter diploma de curso superior, melhorando a qualificação no mercado de trabalho. Quanto ao aumento no número de vagas, a única empresa que, de fato, contratou um grande número de pessoas foi a A&C. As gestões na época tiveram dificuldade para atrair outras indústrias para a região, até mesmo devido à lotação do Distrito Industrial. Já naquela época, se articulava a criação de um novo distrito, mas até agora não se concretizou.

Enquanto isso, outra grande promessa da época saiu do papel, mas não teve o resultado esperado. O Pólo Moveleiro, que pretendia reunir as fábricas de movelaria e oficinas em um terreno na rodovia AL-220. Na época da inauguração esperava-se que o local servisse para que os consumidores pudessem negociar diretamente com os fabricantes. Mas as condições não foram atraentes e poucas fábricas e oficinas permanecem no local.

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