guerra tecnológica

Empresas levam batalha por consumidor para o celular e apps viram arma

Até setores formais da economia brigam pela atenção do público nos aparelhos de telefone

POR: Assessoria
Empresas disputam atenção dos consumidores que não desgrudam os olhos da telinha
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Em tempos de crise econômica, a batalha pela conquista de clientes ganhou um novo palco. Os aparelhos de telefone celular receberam o status de vitrine na briga das empresas por consumidores. Aliando a palavra grátis aos seus aplicativos, até mesmo setores tradicionais da economia voltaram suas atenções para a conquista de novos usuários e na busca de sua fidelização através da ferramenta. Fruto, naturalmente, do crescimento do uso de aparelhos do tipo smartphone pela população brasileira. No ano passado, estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o número de dispositivos desse tipo superou a marca de um item por habitante, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem quase de 210 milhões de pessoas.

Ainda que no final de 2018 as estatísticas das empresas do setor de telefonia móvel tenham mostrado uma queda no número de linhas ativas, os gastos feitos através dos aparelhos celulares têm aumentado. No último trimestre de 2017, das pessoas que compravam bens ou serviços através dos smartphones, 18% tiveram despesas na faixa entre R$ 1,1 mil até R$ 1.999. Esse patamar saltou para 35% no mesmo período do ano passado. Além disso, os aparelhos se transformaram a principal forma de acesso à Internet no país.

Desafio é aparecer no meio da multidão

Os aplicativos para dispositivos móveis – que além de telefones celulares do tipo smartphones também pode sem baixados e utilizados em tablets – mais populares conseguem atingir o patamar de cinco bilhões de instalações. No entanto, essa é uma marca para poucos. Apenas três apps conseguiram superar essa barreira até hoje. Em 2018, no ranking da Google, que hospeda a loja de aplicativos mais popular da Internet, dois apps produzidos por desenvolvedores brasileiros estiveram entre os melhores do ano.

A listagem dos melhores aplicativos mostrou uma diferença clara entre o gosto dos críticos e dos usuários. Enquanto os analistas indicaram como vencedor um app de ensino de línguas, por considerá-lo mais útil e eficiente para os internautas, o voto popular seguiu em outra direção apontando um aplicativo que trazia notícias sobre futebol, bem menos sofisticado.

Conseguir conquistar clientes em uma vitrine que expõe lado a lado aplicativos diversos, que permitem acompanhar entre outras coisas o uso de recursos públicos e fiscalizar o andamento das obras governamentais, saber onde os radares de controle de velocidade são posicionados nas estradas, ter acesso à plataforma de jogos Betway com caça-níqueis online (que conta inclusive com uma versão de cassino ao vivo), ou até mesmo aprender através de um guia como dançar balé usando seu telefone, tem sido o grande desafio das empresas.

Empresas concedem vantagens para uso dos apps

Para superar esse obstáculo, a modernidade muitas vezes tem que dar um passo atrás e relembrar o velho ditado que garante que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso e oferecer alguma vantagem para que ele instale o aplicativo. Ou seja, não basta ser de graça. Os supermercados, por exemplo, devolvem dinheiro nas compras em que seus apps são utilizados.

Isso poder ser feito através de pontos que podem ser trocados por produtos ou mesmo valores concedidos como desconto em produtos, ou novas compras. É uma forma de garantir que o primeiro negócio concluído irá gerar um segundo, depois outro. E o cliente retornará sucessivamente para consumir os benefícios adquiridos e gerar novos. Nada muito diferente do que os cartões de crédito fazem, só que com custo menor, uma vez que não exige a emissão de ‘dinheiro de plástico’, faturas em papel ou similares. Tudo é feito online e diretamente no aparelho de telefone celular do cliente.

Aplicativo de motoristas de São Paulo chega onde o Uber não entra

Porém, nem sempre é a economia, mas a exclusividade o ponto capaz de desequilibrar essa balança. Mais usado aplicativo de transporte do mundo, o Uber apresenta uma restrição para os clientes da maior cidade do Brasil. Em São Paulo, que tem mais de 12 milhões de habitantes de acordo com dados do IBGE, parte significativa dos motoristas cadastrados através desse aplicativo simplesmente tirou do mapa algumas áreas que consideram perigosas demais. Eles deixaram de atender aos clientes dessas regiões, que além de apresentarem risco maior também não oferecem boa cobertura de Internet, o que dificulta o uso dos sistemas de GPS para que não tem conhecimento das vias de acesso ao local.

A versão brazuca do aplicativo JaUbra, no entanto, vai onde o original norte-americano não ousa colocar suas rodas. Garante aos seus usuários de transporte até, por exemplo, a favela da Vila Brasilândia e seus aproximadamente 250 mil habitantes, que estão fora da área de atendimento do app mais popular desse segmento. É operado por motoristas que conseguem se infiltrar pelas ruas da região sem precisar de mapas, físicos ou por computador, e sabem exatamente evitar os locais de maior perigo garantindo, dessa maneira, não apenas a sua própria segurança, como também a dos clientes que recorrem ao aplicativo. Um produto que a gigante do setor não tem capacidade para oferecer e faz com que os ‘nanicos’ consigam de destacar, ao menos para esse nicho de mercado.

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