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Globo é processada por acusação de racismo em nova novela

POR: Congresso em Foco
Protagonistas da novela "Segundo Sol"
João Cotta e João Miguel Jr / TV Globo

A Rede Globo é alvo de um processo onde é acusada de práticas racistas e discriminatórias em sua nova novela “Segundo Sol”, próxima atração de seu horário nobre, que se ambientará na capital baiana. A União de Negros pela Igualdade (Unegro Brasil) ajuizou uma ação civil pública contra a emissora na 2ª Vara Especial da Fazenda Pública em Salvador, na Bahia. Para a entidade, o elenco da novela não expressa a sociedade soteropolitana e baiana. A emissora ainda não se manifestou sobre o tema.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), no ano passado, os negros eram 85% da população da capital baiana. Mesmo diante desse cenário, a novela, ambientada em Salvador, é protagonizada por atores brancos.

A petição afirma que a prática racista não atinge somente a população baiana, mas “fere a toda uma população e porque não dizer à sociedade brasileira, haja vista que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD-IBGE, a população brasileira estimada no ano passado, 2017, era de 205 milhões e 500 mil habitantes, sendo que os negros representam hoje a maioria, ou seja, cinquenta e cinco por cento, muito embora esse percentual na Bahia seja mais elevado (quase 80%)”.

Protagonizada pelos atores Emílio Dantas, Vladmir Brichta, Giovana Antonelli, Deborah Secco e Adriana Esteves, todos brancos, a novela de autoria de João Emanuel Carneiro estreará no dia 14 de maio e conta a história de um cantor de axé que é dado como morto após a queda de um avião. O principal conflito da trama consiste no fato de que o protagonista, Emílio Dantas, é convencido a não dizer a verdade sobre o que aconteceu e assumir uma nova identidade em uma localidade distante do litoral baiano, onde formará um par romântico com a personagem de Giovana Antonelli.

A ação civil pública é assinada pelo advogado Egberto Magno e pede uma liminar para obrigar a TV Globo a incluir negros e negras como protagonistas na gravação dos próximos capítulos. “[...] se para implementar essas obrigações for necessária a readequação do roteiro, que sejam adotadas as medidas pela emissora”, reclama a ação judicial.

Caso a petição seja aceita, a entidade pede que a Globo seja multada em R$ 1 milhão por dia em caso de descumprimento, valor que será destinado a inserções de publicidade educativa sobre a questão racial que deverão ser exibidas nos intervalos da novela. 

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