Descarte irregular

Lixões geram prejuízo bilionário para sistema de saúde dos Estados

POR: Assessorias
FPI do São Francisco interdita lixão de Teotônio Vilela, reincidente no descarte inadequado de resíduos sólidos
Jonathan Lins

Presentes em quase todos os municípios brasileiros, os lixões são verdadeiras fontes de doença. O descarte irregular de lixo acaba gerando contaminação de água, solo, ar, fauna e flora, e o impacto disso na população e no sistema de saúde é enorme.


O ultimo estudo realizado sobre o assunto data de 2015, e aponta que a destinação inadequada dos resíduos, incluindo três mil lixões no País, pode causar prejuízos de US$ 2,1 bilhões em cinco anos para Saúde e Meio Ambiente. Segundo o especialista do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Ricardo César, a disposição incorreta dos resíduos é muito prejudicial, e Alagoas é um dos estados que sofre com isso.
 
“A disposição dos resíduos em valas comuns ou a céu aberto é uma questão muito sério que ocasiona problemas para a população em geral. Não existe na maioria dos municípios um planejamento para a disposição desses resíduos, embora Alagoas conte hoje, com duas Centrais de Tratamento, uma em Pilar e outra em Arapiraca”, ressaltou.


Ricardo César explica ainda que existem muitas maneiras da disposição incorreta de resíduos afetar o meio ambiente e a população. “Os problemas vão desde a contaminação dos lençóis freáticos pelo chorume, que é um líquido altamente tóxico que escorre dos lixos, até a proliferação de doenças devido aos animais que os lixos atraem como moscas, mosquitos, ratos e baratas. Além disso, como o lixo é disposto em lugares abertos, eles são transportados pelo vento e espalhados para diversos pontos da cidade e povoados, em função do sentido dos ventos. Isso afeta diretamente a biodiversidade local, que espalham resíduos como o plástico, que tem a vida útil de mais de 100 anos, e chegam até aos nossos mares”, esclarece.


O estudo que relaciona a disposição incorreta dos resíduos com os gastos em saúde foi realizado pela International Solid Waste Association (ISWA), em parceria com o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana e com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza (Abrelpe). Segundo o levantamento, cerca de 75 milhões de brasileiros têm seus resíduos destinados a lixões ou outros locais impróprios.

“No estudo preparado pela ISWA, foram contabilizados não só os custos para tratamento dos problemas de saúde das pessoas, causados principalmente pela existência e manutenção dos lixões, mas também foi considerado o impacto de perdas de dias de trabalho por afastamento médico, os custos psicossociais causados aos moradores das áreas próximas aos lixões e os danos ambientais causados por essas unidades irregulares”, ressaltou o diretor presidente da Abrelpe e vice-presidente da ISWA, Carlos Silva Filho.

A pesquisa analisou a produção de resíduos no País entre 2010 e 2014 e concluiu que, em uma estimativa, pelo menos 1% da população atendida por lixões desenvolve doenças - o que equivale a cerca de 750 mil pessoas. Além disso, ela apontou que o custo médio para o SUS no tratamento de doenças provenientes de contaminações é de US$ 500 por pessoa, ou seja, um custo que totaliza US$ 1,85 bilhão em cinco anos. Portanto, entre 2016 e 2022, o gasto total da saúde em decorrência dos lixões será deste valor, em médi

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