Cultura

Fé e devoção: Santo Antônio é o primeiro homenageado em junho

Por Erick Balbino 12/06/2015 15h03

Enquanto as fogueiras não começam a ser produzidas nas portas das casas, parece que o mês de junho fica sem graça. Mas o tão esperado dia 12 de junho chegou e é nesta quinta-feira que a homenagem aos santos juninos se iniciam.

O primeiro a ser homenageado é Antônio de Pádoa, que além de santo pela Igreja Católica, ainda é considerado casamenteiro.

Quem está a procura de um(a) pretendente, deveria prestar atenção em algumas simpatias famosas para incentivar a busca, como colocar a imagem do santo em baixo da cama durante 3 dias ou colocar duas agulhas dentro de uma bacia com água e açúcar. Reza a lenda que se as agulhas estiverem juntas no dia seguinte, o casamento está próximo.

A fama de casamenteiro surgiu quando uma jovem muito pobre pediu a benção a Antônio, que na época era frei, porque não conseguiu realizar o sonho de casar por causa da baixa condição financeira. Sua família não tinha dinheiro para pagar o dote, muito menos para comprar as vestimentas para a cerimônia ou para o enxoval. Após abençoar a moça, o Frei pediu a ela que confiasse, pois em breve receberia doações e a solidariedade necessária para a realização do casamento. A lenda relata que alguns dias depois a moça recebeu em casa tudo que precisava e conseguiu se casar.

O fato percorreu o mundo e espalhou a ideia de que Santo Antônio arranjava casamentos. O que intriga é que, com o passar dos anos, as pessoas começaram a negociar com o religioso quando não conseguiam um companheiro, o “castigando” de diversas formas, como ao colocar sua imagem de cabeça para baixo num copo cheio de água.

A estudante universitária Andressa Pereira disse que durante uma brincadeira na casa de um amigo avistou a imagem de Santo Antônio e logo cuidou em enterrá-la de cabeça para baixo no quintal para poder arrumar um bom partido. O fato deixou todos que estavam presentes em gargalhadas. Duas semanas depois, ao encontrar o dono da casa na rua, ele a informou que desenterrou o santo por achar tudo aquilo uma bobagem.

“Enterrar a imagem foi uma brincadeira de momento, mas uma coisa é certa, eu continuo solteira. Nada me tira da cabeça que se o santo continuasse enterrado eu poderia estar compromissada agora”, disse.

Há também quem tenha um apreço especial pelo santo, como é o caso da aposentada Tercy Mendes de Vasconcelos, de 75 anos. Ela guarda uma imagem dele em um quarto trancado de chave. Segundo ela, foi um presente divino e que deve ser cuidado com todo amor e carinho.

“Meu marido foi Prefeito de Maragogi há muitos anos e durante a organização de uma das Festas em homenagem a Santo Antônio, fomos a Recife para comprar os enfeites da cidade, e pedi que duas pessoas fizessem uma faxina em um quarto abandonado no fundo da Paróquia para retirar um entulho acumulado durante anos. Ao voltar da viagem, as diaristas me receberam informando que haviam encontrado a cabeça de uma estatueta, que logo reconheci ser de Santo Antônio. Guardei o objeto comigo durante um ano inteiro, até que pedi que fizessem a faxina em outro cômodo da igreja que também estava abandonado. Encontraram o resto do corpo de Santo Antônio enrolado em algumas folhas de jornal”.

Santo Antônio é padroeiro da cidade de Maragogi e tem uma paróquia com seu nome no centro do município.