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Médico alagoano portador de ELA é expulso de aeronave com destino a Itália

Por Redação com Gazetaweb 27/03/2015 14h02
Médico alagoano portador de ELA é expulso de aeronave com destino a Itália
- Foto: Arquivo Pessoal

Um dos alagoanos que mais luta pelo tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), o médico alagoano Hemerson Casado, que também é portador da doença, foi expulso de uma aeronave nesta quinta-feira (26), quando tentava embarcar para Roma, na Itália, num voo da companhia Alitalia. Ele, que já estava acomodado a sua poltrona foi convidado a se retirar do avião e ainda teve que ouvir que portadores de ELA não viajam pela companhia.

As passagens dele, da esposa e do cuidador foram doadas pelo Governo do Estado para que o médico pudesse tentar tratamento fora do país. De Roma ele seguiria para Israel.

Hemerson Casado relatou, através de um desabafo no seu perfil pessoal do Facebook, a maneira como foi tratado pelos funcionários da companhia aérea:

“O Governo do Estado me presenteou com três passagens, permitindo que eu tivesse a chance de buscar um tratamento fora do país. Por garantia, sempre levo minha cadeira de rodas, meus remédios, cuidador, minha esposa e um aparelho anti-ronco, que é usado costumeiramente por milhões de pessoas. Nós já viajamos por grandes companhias que compreendem perfeitamente o uso desta máquina. Ninguém pergunta se você vai levar seu celular, ipod, ipad, barbeador elétrico, leptop, secador de cabelo, tudo que funciona em uma corrente baixa. Todas as companhias que possuem aeronaves modernas disponibilizam tomadas abaixo de seus bancos. Hoje fomos de forma arbitraria parcial e ignorante expulsos do voo da Alitalia para Roma”, escreveu

De acordo com Hemerson Casado, houve muitas tentativas para evitar que ele perdesse o voo, mas nada foi suficiente. Ele informou ainda que até a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi procurada, mas o órgão não deu importância para o caso.

“Não teve jeito, fomos expulsos. O que aconteceu posteriormente foi uma completa falta de socorro, não tínhamos a quem recorrer. Procuramos a ANAC, que se reservou a ouvir o supervisor da Alitalia, sem que nos desse a mínima chance de uma apelação, entretanto, de tudo que ocorreu de errado algo me causou um profundo desespero: O fato de que eles disseram que pacientes com ELA não viajam em sua aeronave. Nenhum dos dois supervisores teve a coragem de olhar no meu rosto e falar comigo. Uma atitude de completo desrespeito a vida humana, um total desconhecimento do que a ELA significa. Não sabem que o nosso cérebro permanece lúcido. Fui tratado como se tratava os excepcionais no século passado, com desprezo e nojo”, continuou.

Por fim, Hemerson Casado diz que vai lutar para que a justiça seja feita e que a empresa aérea passe a respeitar os pacientes especiais.

“Parecia que aqueles italianos herdaram do seu aliado, o alemão Adolf Hitler, a vontade de exterminar os especiais. Perdi minha fé e minha razão. Gritei como louco e esperneei como animal que fora mal tratado. Jurei a eles que se eu não conseguisse o meu tratamento eu morreria, mas como justiceiro sanguinário o levaria comigo. Jamais na minha vida imaginei ser tratado daquela forma. Vou lutar com todas as minhas forças para que a justiça seja feita e que esta empresa aprenda respeitar os pacientes especiais ou então para continuarmos a nos comportarmos como bons e honestos cidadãos precisaremos andar constantemente com o manual”, concluiu o desabafo.