20 anos depois

Barrichello detalha ordem para deixar Schumacher passar e diz que foi "depravado" ao correr após morte de Senna

"Entrei no carro para me machucar", diz o piloto, que admite dor com críticas sofridas no Brasil e afirma: "F1 é um mundo muito vaidoso"

POR: Globo Esporte
Rubens Barrichello
Internet

Quase duas décadas na Fórmula 1 transformaram Rubens Barrichello em testemunha ocular dos principais acontecimentos do automobilismo nos últimos anos. Recordista em corridas na modalidade, ele vibrou e chorou com Ayrton Senna, brincou e brigou com Michael Schumacher, venceu e perdeu nas pistas, raspou o muro para ultrapassar o melhor do mundo – e desacelerou para mostrar ao mundo que foi obrigado a deixá-lo passar.

Rubinho, aos 47 anos, diz que hoje, como piloto de Stock Car, é um homem mais feliz do que quando pilotava nos principais circuitos do planeta. Nesta entrevista de duas horas e meia, ele afirma que melhorou a F1, detalha a ordem da Ferrari para ceder a vitória a Schumacher em 2002, na Áustria, comenta as críticas recebidas no Brasil e lembra, ainda incrédulo, a perda de Ayrton Senna.

Assista, no vídeo acima, aos melhores momentos da entrevista, ampliada em texto e em outros vídeos abaixo. Rubens Barrichello é o quinto entrevistado da série "Abre Aspas".

Você está com 47 anos e viveu muito o automobilismo. Foram quase 20 anos de F1. Você viu grandes façanhas e acidentes terríveis. Viu um ídolo, o Ayrton Senna, morrer. E continua correndo. Por quê? Por que continua tão apegado à velocidade?

No dia em que eu estava para fechar o contrato para continuar na Fórmula 1, entre o 19º e o 20º ano, ouvi muitas pessoas falando que eu não precisava mais provar nada, que eu já tinha 39 anos, que podia ir para casa. Mas por que vou para casa se gosto tanto do que faço? Acordo sorrindo e durmo agradecido, ou acordo agradecido e durmo sorrindo. Realmente faço o que amo. Tenho muita gratidão por fazer aquilo que gosto. Nos EUA, eu pego, boto o kart na picape, vou para a pista com o filho, boto óleo na corrente e saio para andar. Não tem coisa mais legal do que lembrar da minha infância com essa história. Sou um apaixonado pelo que faço. Tenho medo de ver minha velocidade indo embora, porque irá. Como em tudo na vida, o tempo passa, as coisas mudam, a gente vai ficando velhinho, tem o reflexo e aquela coisa toda. Mas ainda não senti isso.

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