O ex-Beatle Paul McCartney faz 70 anos

Artista fez um mega show recentemente em Recife (PE) que marcou história 

POR: blitz.sapo.pt
Paul McCartney, um dos músicos mais aclamados de sempre e membro dos históricos Beatles, completa hoje 70 anos. Nascido a 18 de junho de 1942 em Liverpool, Inglaterra, "Macca", como é conhecido junto dos seus conterrâneos, militou também em grupos como os Quarrymen (onde conheceu John Lennon, com quem formaria os Beatles), os Wings (pós-Beatles) ou, mais recentemente, o projeto The Fireman.

Também a solo Paul McCartney, conhecido ativista dos direitos dos animais e uma das pessoas mais ricas do Reino Unido, tem uma obra longa e bem sucedida, desde o disco homónimo de 1970 a Kisses on the Bottom , lançado este ano. Também em 2012, Paul McCartney tocou no Jubileu da Rainha Isabel II e deverá marcar presença na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres.

*Perfil  

Na década de 60, em Inglaterra, um adolescente de classes menos favorecidas tinha como destino quase certo as "secondary modern schools", uma espécie de escolas profissionais que formavam futuros operários menos qualificados. Como John e George, Paul conseguiu ingressar numa "Grammar school", o Liverpool Institute onde estudou num ano adiantado em relação a Harrison.

Paul nasceu a 18 de Junho de 1942 no hospital onde a sua mãe - Mary McCartney - tinha sido enfermeira, o Walton Hospital, de Liverpool. O futuro Beatle teve uma infância normal, mas perdeu a sua mãe muito cedo, quando tinha apenas 14 anos, e esse terá sido um dos factores que lhe permitiram desenvolver uma grande proximidade com John Lennon, que também perdeu a sua progenitora ainda adolescente. Mas a sua primeira grande amizade foi estabelecida com George Harrison, que apanhava o mesmo autocarro para o Liverpool Institute. Em 1986, Paul declarou à revista Q: "O George era o meu companheiro original nos Beatles. Ele vivia muito perto de mim e por isso apanhávamos o mesmo autocarro - o 500, que era o expresso - e depois recebemos guitarras mais ou menos ao mesmo tempo. Estudámos os livros de Bert Weedon ao mesmo tempo e éramos grandes companheiros".

A inclinação para a música nasceu em casa - o avô de Paul tocava tuba e o seu pai, Jim, era um trompetista que tinha liderado um grupo de jazz nos anos 20. Foi quando a moda do skiffle - uma mistura de folk, jazz e country que teve um enorme impacto nos jovens de Liverpool nos anos 50 - apareceu que Paul decidiu mudar para a guitarra, deixando de lado o trompete. Ao início, a guitarra parecia um instrumento difícil para Paul, que era canhoto, mas um poster de Slim Whitman permitiu-lhe perceber que poderia tocar a guitarra, virando-a ao contrário.

Profundamente interessado por música, Paul decidiu ir ver os Quarry Men de John Lennon a Woolton e ambos depressa estabeleceram uma relação artística. Eventualmente, Paul convenceu John a abrir lugar nos Quarry Men para George Harrison e o grupo começou a tomar forma. Stuart Sutcliffe, colega de John na escola de artes, ocupava o baixo e Pete Best encarregava-se da bateria. Foi com esta formação, e depois de experimentarem vários nomes, incluindo The Silver Beetles, que o grupo rumou a Hamburgo, onde ganhou experiência e rodagem em frente de públicos exigentes, noite após noite, até serem deportados devido a um pequeno incidente e ao facto de Harrison ser menor.

Tal como os companheiros, Paul também se sintonizou com o liberal espírito dos anos 60 através das drogas que descobriu ainda em Hamburgo, como forma de aguentar os violentos e dilatados concertos que tinham que dar todas as noites. Mais tarde experimentou o cannabis - que lhe foi apresentado por Bob Dylan em Nova Iorque em 1964 -, a cocaína - que usava para despertar do torpor induzido pela "erva" - e o LSD, motor da fase mais psicadélica do grupo e que Paul tomou pela primeira vez em 1966. Nada disso, porém, afectou o seu estatuto de Beatle bonito durante a beatlemania, quando um simples sorriso seu fazia desmaiar multidões de raparigas adolescentes.

McCartney chegou a ser visto como o responsável pelo final dos Beatles devido às questões legais que se levantaram em 1970, quando se quis libertar do contrato que o ligava ao manager Allen Klein, mas a verdade é de facto mais complexa e, notoriamente, Paul atribuiu responsabilidades a John Lennon. Depois desse episódio, Paul embarcou numa extremamente bem sucedida carreira pós-Beatles, com os Wings, ao lado da sua mulher Linda, e a solo, facto que lhe garante o invejado estatuto de mais bem sucedido compositor na história da música popular, com mais de 100 milhões de singles vendidos em todo o mundo com composições da sua autoria.

Paul é igualmente um vegetariano convicto e um ativista em diversas causas de nobreza inquestionável, mas ainda assim protagonizou alguns casos curiosos, como o seu famoso comentário "it's a drag" ("é uma chatice") acerca da morte de John Lennon. Mais tarde, Paul comentou que lhe faltaram palavras no momento em que foi "assaltado" por todos os repórteres, mas que realmente amava o seu antigo companheiro dos Beatles.

Paul casou em 1969 com Linda, uma fotógrafa americana, vegetariana e activista dos direitos dos animais que viria a fazer parte dos Wings. Linda faleceu em 1998 vítima de cancro da mama e deixou quatro filhos, três dos quais de Paul. O Beatle voltou a casar em 2002 com Heather Mills, com quem teve uma tumultuosa relação que só durou quatro anos e que terminou num mediático e litigioso divórcio em 2008.


*Por Rui Miguel Abreu e publicado originalmente na revista Especial Beatles de setembro de 2009 

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