Hector Martins

Advogado (sócio fundador do Escritório Ventura & Martins Advocacia Associada); Atual Presidente da OAB ? Arapiraca (AL); Professor Universitário (Cesmac do Agreste); Pós-graduado em Direito do Estado e Pós-graduado em Ciências Criminais Ex-Subprocurador Geral do Município de Arapiraca (AL)

O impeachment do eleitor

POR: Hector Martins

Saudações, amigo leitor!
Em meio aos acontecimentos político-jurídicos que assolam o país, resolvi hoje trazer uma reflexão sobre o impeachment.
Em apertado resumo, o impeachment (ou impedimento; cassação) é o mecanismo pelo qual são apuradas as acusações do cometimento de ilícitos, que desautorizem o Presidente da República de permanecer no cargo.
Mas, ao contrário do que você está pensando, não serei aqui partidário de nenhuma corrente. É nítido que o Brasil está rachado em duas bandas. De um lado os defensores do procedimento; do outro, os que alegam tratar-se de um golpe, e portanto, são contrários ao procedimento.
Em verdade gostaria de ir além disso, pensando um pouco fora da caixa.
O próprio título da postagem é uma brincadeira, talvez um pouco ácida, mas propícia para uma pausa e um pequeno juízo de valor.
O Brasil vive uma estonteante crise de corrupção! Tudo bem, não é culpa da atual presidente, antes que gritem seus defensores ou antes que propaguem seus opositores.
Aqui a corrupção está impregnada no seio social, em todas as camadas, no ambiente público e no privado. E essa mesma corrupção apenas ganha corpo no ambiente político por total conivência do eleitor.
Como compreender que em pleno século XXI ainda ocorra compra de votos? E o pior, não acontece apenas entre as classes menos favorecidas. Há estudos que comprovam que a compra de votos se dá em todas as faixas sociais, sendo nítido que se trata de um desvio de caráter e não de falta de recursos.
O eleitor que vota mal, por dinheiro ou favor, sem analisar quem é o candidato e qual o seu histórico é um verdadeiro inconsequente, pois acaba fazendo surgir o político oportunista e que irá ser mais um soldado da corrupção, fomentando a atrofia dos nossos serviços públicos.
Será que não está na hora de fazermos o impeachment desse tipo de eleitor? Acabar definitivamente com os currais e com as velhas práticas políticas?
Vamos tentar acabar com a hipocrisia de analisar tão somente o que os outros estão fazendo de errado e vamos tentar averiguar o que nós estamos fazendo, pois caso contrário, consolidando ou não esse impeachment de agora, certamente, em pouco tempo, estaremos falando nele novamente, talvez apenas mudando algumas figuras.
Não adianta gritar que é contra a corrupção se pratica corrupção no dia-a-dia, pois, no mínimo, será considerado um corrupto transvestido de hipócrita.
Abraço, até a próxima oportunidade!
 

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