Fabrízio Almeida

Advogado, Administrador Público, Procurador Municipal, sócio do escritório jurídico Ventura & Macário advogados associados. Tem forte atuação em demandas cíveis, sobretudo em causas contra a administração pública nas três esferas de poder. É torcedor e também advogado da Agremiação Sportiva Arapiraquense desde 2010.

O desafio da cidadania

POR: Fabrizio Almeida

No ano de 2013, deu-se início uma série de manifestações populares, dali partiu uma avalanche de críticas ao Estado brasileiro, nas três esferas, estava clara a enorme insatisfação do povo com os seus governantes, com a administração dos recursos públicos e o sistema político. Criticou-se à época preços de passagens, obras da copa do mundo, desperdício de recursos, ineficiência do Estado, alta carga tributária, dentre outros temas igualmente importantes.

Ficou claro naquele momento que o controle social da administração pública estava começando a ganhar uma nova dimensão neste País. A popularização da internet através de smartphones bem como a utilização das redes sociais mudou o panorama da nossa realidade, já não era possível esconder toda a sujeira embaixo do tapete. Pouco a pouco o brasileiro estava mais atento, desconfiado, fruto da informação que já não era mais seletiva e afagada pelo sistema. O futebol que há pouco era o assunto mais discutido no País deu lugar à política e seus jogos de poder.

Hoje o cenário ainda é o mesmo, a nação segue atenta às articulações da política, sobretudo agora que temos um governo federal interino que pode ser confirmado, ou não, nos próximos seis meses. Chegamos num momento onde a margem de erro não pode ser grande, não se tolera mais tanta trapalhada na gestão da coisa pública. Passamos a entender também o quanto é importante e valioso escolher bem os nossos candidatos, principalmente para ocupar as cadeiras dos parlamentos. Espera-se que neste novo tempo propostas de políticas públicas efetivas substituam práticas assistencialistas eleitoreiras, senão estaremos fadados a repetir os mesmos erros da história.

O maior desafio consiste em recrutar bons quadros da sociedade para qualificar a representação popular, pessoas que compreendam a dimensão do momento e das exigências sociais, que não se furtem a romper velhas práticas e acreditem que é possível evoluir.

É tolice acreditar que a simples alteração do nome à frente da Presidência da República fará as coisas melhorarem instantaneamente e que a corrupção passará a não existir como um passe de mágica. O Brasil ainda está muito longe disto e receio que nunca atinja o melhor dos mundos neste aspecto, no entanto é possível melhorar. A mudança parte de nós, é de dentro pra fora, refletindo a vida em sociedade pelo bem do interesse público, entendendo a finalidade social da nossa existência.

Acredito que seja a hora de olharmos mais para a nossa casa, onde vivemos e usufruímos dos serviços públicos. É tempo de aproximar com qualidade o Estado e seu povo. Para que muitos serviços privados sejam opção, não necessidade ante a ausência e negligência do ente público. O desafio não se restringe apenas ao novo governo federal, é dever de cada pessoa colaborar neste processo, o exercício da cidadania sem dúvida é o primeiro estágio da renovação.

 

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