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Lenine alega que recurso da merenda não faz diferença para estudantes e é rechaçado nas redes sociais

Secretário arapiraquense respondeu à crítica do pré-candidato Hector Martins e bateu boca nos comentários

POR: 7Segundos
Lenine Filho

Críticas geralmente não são bem vindas pela prefeitura de Arapiraca. Prefeito e secretários preferem fazer ouvidos moucos até mesmo para responder a questionamentos da imprensa que julgam ser desfavoráveis, desperdiçando a oportunidade de defenderem seu ponto de vista. Mas um comentário, feito pelo pré-candidato a prefeito Hector Martins (Cidadania) no Instagram, conseguiu tirar o secretário de Gestão Pública, Antônio Lenine Filho, do sério. Ele não só respondeu a postagem como chegou a discutir nos comentários feitos por outras pessoas.

O ex-presidente da OAB Arapiraca publicou em suas redes sociais no último domingo (26), um comentário sobre a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público porque a prefeitura de Arapiraca não cumpriu a recomendação de liberar a merenda escolar para os estudantes da rede municipal. Na sua publicação, Martins  afirmou que o prefeito terá que “prestar contas a Deus” sobre o que ele taxou de “falta de humanidade”. Veja na galeria de imagens.

“Não dá para deixar passar batido um fato tornado público hoje em Arapiraca. Um prefeito que precisa ser obrigado pela justiça a liberar merenda escolar para os alunos da rede pública vai precisar prestar contas a Deus e não apenas ao povo. Falta de humanidade. Parabéns ao MP/AL”, afirmou o pré-candidato.

Pouco tempo depois, Antônio Lenine Filho respondeu o comentário acusando o pré-candidato de “utilizar crianças como trampolim político” e justificou a falta de atitude do município afirmando que o valor de pouco mais de dez reais por mês não faria diferença para os estudantes. 

“Como é possível alguém teoricamente esclarecido, utilizar as crianças como trampolim político? Como pode achar que R$ 10,66 pode alimentar uma criança por 30 dias? Como alguém que deseja assumir os destinos do município, mas [sem] ter a mínima noção da situação? Talvez o melhor remédio será estudar um pouco mais os problemas locais para, caso chegue ao objetivo, não fique surpreso com os problemas do município. Vale a dica”, declarou o secretário, que terminou a mensagem com um emoji piscando o olho.

A fala mereceu uma resposta de Hector Martins e foi rechaçada por várias pessoas que classificaram como “vergonha” a tentativa de justificativa apresentada pelo secretário Antônio Lenine Filho, que teve o nome envolvido em parte dos escândalos da atual gestão como o da auditoria que foi realizada nas contas das gestões anteriores da prefeitura, que não teria sido contratada pelo município, mas que foi parcialmente paga com recursos de uma empresa que cujo secretário é um dos sócios.  

Hector Martins respondeu ao comentário dizendo que essa “lógica” - “Se não dá para alimentar, então é melhor não liberar para o pessoa”, como classificou - vai na direção contrária de várias prefeituras do país, que está liberando o recurso da merenda, e afirmou ainda esperar que o mesmo pensamento não seja utilizado pelo município na hora de decidir o que fazer com os R$ 8,7 milhões destinados pelo Ministério da Saúde para o combate à pandemia em Arapiraca. “Talvez ele não seja suficiente para acabar com a problemática de Arapiraca. Então, pela lógica de vossa excelência, ficará guardado”, ressaltou.

Lenine não teve palavras para responder ao pré-candidato, mas dirigiu respostas a comentários de outras pessoas na publicação afirmando que não teria motivo para pedir desculpa “quando se deseja fazer uma gestão séria e transparente, mesmo que tenha que atravessar todas as adversidades possíveis e imaginárias para promover o bem à comunidade”. E então os comentários passaram a se voltar para a falta de transparência da prefeitura. Um deles chamou a atenção para a falta de informações no Portal da Transparência, como a do orçamento do município para 2020. 

Após uma professora da rede municipal classificar a explicação de Lenine como uma “desculpa esfarrapada”, que a merenda que é servida aos alunos é de “péssima qualidade”, e que desde janeiro o município recebe verba federal suficiente para reajustar o salário dos servidores da educação, mas “ignoraram a greve por um direito nosso”. 

Depois desse e de outros comentários, Lenine desistiu de defender o indefensável e voltou a descansar em seu berço esplêndido. 

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