André Pepes

Graduado em Administração de Empresas pela Uneal, Radialista, Produtor e Âncora do Programa Saúde em Foco na Nova FM Arapiraca 103.3 exibido de segunda à sexta-feira as 9 da manhã.

Insônia

Distúrbios do sono são os maiores aliados das doenças cardíacas.

POR: Blog

Quais os distúrbios comuns do sono?
Os distúrbios de sono mais comuns são a insônia, a apnéia obstrutiva do sono e a síndrome das pernas inquietas. São comuns também o sono insuficiente e o atraso de fase de sono.

A Apnéia Obstrutiva do Sono caracteriza-se pela obstrução da via aérea ao nível da garganta durante o sono, levando a uma parada da respiração, que dura em média 20 segundos. Após esta parada no fluxo de ar para os pulmões, o paciente acorda, emitindo um ronco muito ruidoso. A apnéia obstrutiva do sono pode ocorrer várias vezes durante a noite, havendo pacientes que apresentam uma a cada um ou dois minutos. Durante a apnéia, a oxigenação sangüínea pode cair a valores críticos, expondo o paciente a problemas cardíacos. A apnéia obstrutiva do sono ocorre em cerca de 5% da população geral e em 30% dos indivíduos acima dos 50 anos de idade, sendo também mais comum em homens.

A Síndrome das Pernas Inquietas é a mais comum das doenças do sono, da qual poucos ouviram falar. Afeta cerca de 7% da população e se caracteriza principalmente por uma sensação desagradável nas pernas, profunda, nos ossos às vezes, como se fosse uma coceira ou friagem, choque, formigamento, e eventualmente dor. Estes sintomas são acompanhados de uma sensação de angústia e imensa necessidade de mover as pernas, ou ainda massageá-las, alongá-las ou mesmo espancá-las em algumas situações. Os sintomas ocorrem principalmente na hora de se deitar, mas podem ocorrer em qualquer momento em que o indivíduo fica parado (sentado ou deitado), seja para descansar ou qualquer outra atividade que não exija movimentos. Os sintomas da síndrome das pernas inquietas podem ser tão intensos que o paciente não consegue iniciar o sono.

O que é insônia?
A insônia é simplesmente a dificuldade de iniciar o sono, mantê-lo continuamente durante a noite ou o despertar antes do horário desejado. Estes episódios de insônia podem estar relacionados a vários fatores, e são bastante individuais: expectativas (viagem, compromissos, reuniões, prova, etc.), problemas clínicos, problemas emocionais passageiros, excitação associada a determinados eventos. Mas pode tornar-se crônica e provocar muito sofrimento ao longo dos anos.

Quais os fatores que levam à insônia?
A insônia está associada a múltiplos fatores e muitas vezes estão somados em um mesmo paciente. Algumas pessoas apresentam estruturalmente maior propensão à insônia (são os fatores predisponentes), e quando expostas a condições de estresse, doenças ou mudança de hábitos, desenvolvem episódios de insônia (fatores precipitantes). Estes episódios de insônia podem se perpetuar, principalmente porque o paciente tende a associar suas dificuldades de dormir a uma série de comportamentos: esforço para dormir, permanência na cama só para descansar, elaboração de pensamentos e planejamentos na hora de dormir, atenção a suas preocupações, atenção a fenômenos do ambiente, como ruídos e pessoas que estão dormindo, havendo sempre uma hipervalorização destes fatos, o que realimenta a insônia.

Como se reconhece quando uma pessoa dorme mal? Quais os sintomas?
A principal manifestação de um problema crônico de sono é a sonolência diurna exagerada. As primeiras manifestações dos distúrbios do sono são as alterações do humor e as alterações de memória e capacidades mentais (cognitivas), como aprendizado, raciocínio e pensamento. Para alguns, basta uma noite mal dormida para que a pessoa esteja mal no dia seguinte, principalmente menos tolerante, irritadiça, e com dificuldades de memória, podendo surgir também dor de cabeça. Um sintoma muito característico de distúrbio de sono é o ronco. O ronco ainda hoje é interpretado popularmente como sinal de que o indivíduo dorme bem, mas é justamente o contrário.

Quem ronca está esforçando sua musculatura respiratória para além de seus limites, e está sobrecarregando o coração de trabalho. Ao longo do tempo o indivíduo que ronca pode ficar hipertenso e/ou apresentar infarto do miocárdio ou derrame cerebral. Quem ronca pode ter apnéia obstrutiva do sono, e outros indícios desta doença podem ser a obesidade, prejuízo de memória, dificuldade de raciocínio, diminuição da libido, disfunção erétil (impotência), pescoço grosso, circunferência abdominal elevada, boca pequena, queixo para traz, amígdalas grandes.

A longo prazo, quais os problemas que a apnéia pode vir a ocasionar ao indivíduo?
A longo prazo, pacientes com apnéia obstrutiva do sono podem desenvolver doenças nas artérias, pois estão submetidos a uma inflamação subclínica (perceptível apenas através de exames laboratoriais), facilitando acúmulo de colesterol na parede das artérias, além de precipitar a ocorrência de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame). Em longo prazo também se desenvolve a síndrome metabólica, que é a ocorrência de distúrbios dos lípides e glicose sangüínea, hipertensão arterial e aumento da circunferência abdominal. Quem apresenta esta síndrome tem maior tendência a ter infarto do miocárdio e derrame cerebral.

O que é polissonografia?

A polissonografia é o exame usado para a investigação de vários distúrbios do sono. A pessoa deve dormir com sensores fixados na superfície do corpo, de maneira a permitir que a pessoa possa movimentar-se durante o exame, não atrapalhando assim o sono. O exame é indolor. Não se usam agulhas ou instrumentos semelhantes, ou seja, o exame é não-invasivo e não envolve qualquer risco.

Quais registros/sensores são utilizados na Polissonografia?

Eletro-encefalograma (EEG) - registra a atividade cerebral durante o sono e suas fases (sono superficial, profundo, sono REM - fase em que ocorrem os sonhos, microdespertares cerebrais, etc)
Eletro-oculograma (EOG) - permite a detecção da fase dos sonhos (fase REM do sono).
Eletro-miograma (EMG) do queixo e membros inferiores - analisa o movimento noturno das pernas e seus distúrbios.
Eletro-miograma (EMG) de musculo masseter - analisa contrações da face ou bruxismo (ranger de dentes).
Fluxo aéreo nasal e oral independentes - analisa a respiração e seus distúrbios (apnéias, hipopnéias, etc).
Cintas de esforço respiratório torácico e abdominal - diferencia os 3 tipos de apnéias (obstrutivas, centrais e mistas).
Eletrocardiograma - analisa arritmias cardíacas durante o sono.
Oximetria de pulso - analisa a oxigenação sanguínea e suas alterações por distúrbios respiratórios do sono.
Registro de ronco por sensor - analisa a intensidade do ronco.
Registro de posição corporal - possibilita ver a relação da posição do corpo com a qualidade do sono (por exemplo, algumas pessoas apresentam roncos ou apnéias apenas na posição supina (de barriga para cima)

Onde é realizada a Polissonografia?

O exame pode ser realizado na Clínica do Sono em Arapiraca na Av. Dep. Cecí Cunha 1140, e através do fone: (82) 3521-8222.

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